Onde começa a transformação?

Por Fabiano Goldoni, para Coletiva.net

O termo “Indústria 4.0” talvez seja o conceito mais repetido nos últimos meses em sites de negócios ao redor do mundo. Estamos em direção a uma nova era de geração de valor baseada na conexão entre sistemas produtivos autônomos, que vai mudar, inclusive, o conceito de indústria como processo de desenvolver e comercializar produtos. É digitalização vertical da cadeia produtiva, do desenvolvimento de produto, da experiência de compra e da comunicação.

Nos últimos anos tenho acompanhado o desafio e o esforço de diversos líderes de empresas em digitalizar seus negócios. Compartilhamos artigos e literatura e discutimos sobre como alcançar este Santo Graal que é a Indústria 4.0. Notei que existe alguns padrões de modelo mental e de atitudes em comum entre aqueles que estão conseguindo evoluir nessa digitalização.

É preciso sujar as mãos.

Para os empreendedores da era digital, cargos são obsoletos como títulos de nobreza da idade média. Você não vai ser respeitado só porque ostenta o cargo CEO, CMO, vice-presidente, diretor executivo ou qualquer outra condecoração listada no seu perfil do LinkedIn. Está cada vez mais fácil o acesso aos meios para desenvolver um negócio 100% digital. Se você não buscar conhecimento e contribuir de fato no dia a dia da digitalização da sua empresa, um empreendedor vai surgir entre seus funcionários e vai desenvolver o seu próximo concorrente.

Esqueça os seus concorrentes.

Parafraseando o fundador do PayPal, Peter Thiel, “Competir é para perdedores”, pois quanto mais você compete, mais você fica parecido todo o resto. Ou pior: você estará sempre um passo atrás tentando acompanhar. Portanto tente não se comparar tanto com seus concorrentes. Esqueça o que eles estão fazendo, ou como eles estão fazendo, para buscar a própria transformação. Provavelmente este é o primeiro passo para criar algo genuinamente disruptivo no seu segmento.

O marketing é um produto.

Nos modelos de negócios digitais o consumidor passa a ser um usuário, não só um comprador ou cliente. A digitalização permite acumular uma audiência “acionável” através de tecnologias que vão desde o tradicional CRM, aplicativos e até a internet das coisas em produtos conectados. A empresa que detém controle sobre uma audiência é capaz de acionar sistema produtivos baseados em dados.

Outra grande mudança de paradigma em relação a digitalização dos negócios diz respeito à forma como as empresas as marcas comunicam com seus consumidores. A publicidade deu lugar ao conteúdo, que por sua vez, tem como objetivo buscar autoridade e relevância sobre um determinado assunto. Dessa forma, o conteúdo como a base do marketing, também passa a ser um agregador de audiência.

É um ciclo que se retroalimenta o tempo inteiro: a experiência de marca e a experiência de compra se tornam praticamente a mesma coisa em determinados momentos. Isso provoca um efeito espiral onde, quanto mais digitalizada é uma empresa, mais o marketing gera novos produtos através de suas próprias ações.

Um exemplo recente é a iniciativa do Grupo Pão de Açúcar com aplicativo Pão de Açúcar Mais. Depois de agregar uma audiência considerável através do aplicativo e reunir dados de consumo dos seus clientes, o Grupo Pão de Açúcar abriu o aplicativo para os bancos. Clientes do Itaú poderão fazer os pagamentos das compras através do aplicativo. Fica a pergunta no ar: o app é uma ação de marketing de relacionamento ou produto? Entendo que são as duas coisas.